
Poucas séries conseguem fazer você gargalhar de uma cena e, minutos depois, sentir raiva de verdade. Legal High é uma delas. É uma comédia jurídica ácida que usa o humor para mostrar um sistema de justiça cheio de falhas.
Duas versões, dois países
A história original é japonesa de 2012 e fez sucesso pelo humor afiado e pelo tom satírico. Em 2019, a Coreia do Sul lançou sua própria adaptação, mantendo a premissa central, mas incorporando temas comuns à realidade do país. Por isso, as duas versões conversam entre si, mas têm identidade própria.

A premissa: uma advogada justa e um advogado “monstro”
No centro da trama está Seo Jae-in, uma advogada íntegra, solidária e que acredita nos outros com facilidade. Ela se dedica à justiça, e é justamente essa característica que a coloca em apuros.
Um amigo de infância é acusado de um crime e pede que Jae-in o defenda, confiando que ela faria isso como fazia na escola, quando o defendia diante da turma. Mas, dessa vez, ela perde a causa.
Desesperada para evitar que o amigo vá para a prisão, Jae-in procura o único nome capaz de virar o jogo: Go Tae-rim, conhecido como “O Monstro”.

Go Tae-rim: a fama de monstro vem da competência
Go Tae-rim é interesseiro, move-se por dinheiro e tem fama de corrupto. Mas sua má reputação tem uma origem curiosa: a competência. Desde que deixou a renomada banca de advocacia B&G, ele se tornou um adversário temido nos tribunais, e até hoje não perdeu um único caso.
Ele recusa a proposta de Jae-in de imediato, pois o caso não lhe interessa. Diante da insistência dela, porém, fecha um acordo: Jae-in trabalhará como assistente dele por 15 anos, pagando a dívida aos poucos, na prática com o próprio trabalho.

A traição e o despertar
O amigo é solto, mas Jae-in, ao examinar as provas levantadas por Go Tae-rim, descobre que ele mentiu sobre a própria inocência. Ela se sente usada, e o golpe é duplo, pois a traição vem de alguém em quem ela confiava e atinge justamente o traço que a define: acreditar nas pessoas.
Dois métodos de justiça em choque
A partir daí, a convivência entre os dois forma o coração do dorama. Jae-in não concorda com os métodos de Tae-rim, mas, trabalhando ao lado dele, começa a perceber algo desconfortável: é possível manipular a justiça.
A revelação mais dolorosa envolve a juíza e professora de direito que ela tanto admirava, que se vendeu para decidir a favor do culpado. Para uma advogada idealista, é a queda de um ídolo e de uma crença.
Comédia que mexe com os nervos
Legal High é uma comédia, mas não é leve. Entre as confusões e os desentendimentos entre patrão e subordinada, o espectador acompanha casos que provocam revolta. A injustiça é mostrada sem anestesia.
O que equilibra a revolta é Go Tae-rim. Por trás dos panos, apesar da fama e da ganância, ele tem seu próprio jeito de garantir que os culpados sejam punidos. É essa ambiguidade que torna o personagem fascinante: o “monstro” talvez não seja tão monstruoso, e a mocinha idealista aprende que a justiça nem sempre vem pelo caminho limpo.
Por que assistir
- Humor ácido e inteligente, que nunca perde a crítica social de vista.
- Uma dupla improvável, com a química do idealismo contra o pragmatismo.
- Reflexão sobre justiça, poder e corrupção, sem tom de sermão.
- Casos que prendem, com reviravoltas e momentos de indignação.
Veredito: qual versão assistir?
A versão coreana de 2019 é uma ótima porta de entrada, com temas próximos da realidade do país. Mas, para quem gosta de comédia ácida, minha recomendação é assistir à versão original japonesa de 2012, com seu humor muito engraçado e afiado.

Seja qual for a escolha, prepare-se: você vai rir, vai se irritar e, no fim, vai querer ver mais um episódio.



