Do mito fundador de Dangun ao gumiho sedutor: conheça as histórias que moldaram o imaginário coreano.
Raposas de nove caudas que se disfarçam de mulheres, fantasmas de braços compridos que assombram rios e um deus que desce do céu para governar os humanos. As lendas da Coreia reúnem tudo isso, mas cada história revela algo sobre os valores e os medos de um povo. Neste artigo, o Cantinho do Opa apresenta os mitos e as criaturas mais marcantes do folclore coreano.
Uma mitologia nascida da tradição oral
Por muito tempo, a maior parte dos coreanos não tinha acesso à escrita. Por isso, a narração oral teve papel central na preservação do legado cultural do país, segundo a Enciclopédia de Literatura Popular da Coreia. Além disso, o xamanismo e o folclore local moldaram essa mitologia, que inclui figuras históricas transformadas em deidades, objetos com poderes místicos, fantasmas e contos morais.
Agora que você conhece o contexto, vamos às histórias.
1. O mito de Dangun: a fundação da nação

A lenda mais importante da Coreia narra a origem de Gojoseon, o primeiro reino da península. O deus celestial Hwanin permitiu que seu filho Hwanung descesse à Terra para governar os mortais, então, o jovem deus chegou acompanhado de um séquito.
Nessa época, uma ursa e uma tigresa oravam para virar humanas. Hwanung impôs uma prova: elas deveriam ficar 100 dias numa caverna, longe do sol, comendo apenas artemísia e alho. Porém, só a ursa cumpriu o desafio e se transformou na mulher Ungnyeo, que depois gerou Dangun, fundador de Gojoseon.
O tigre, por sua vez, não desapareceu do imaginário coreano, pois ele continua sendo símbolo de coragem e proteção contra forças malignas.
2. Baegilhong: a flor vermelha dos 100 dias

Uma aldeia costeira sacrificava jovens ao Imugi, um monstro-serpente do mar. Um dia, um herói assumiu o lugar de uma delas e prometeu voltar de barco com uma bandeira branca se vencesse, ou vermelha se morresse.
Cem dias depois, o barco retornou com uma bandeira que parecia vermelha. Desesperada, a jovem tirou a própria vida. Na verdade, o sangue do monstro tinha manchado a bandeira branca então sobre o túmulo dela nasceram flores vermelhas que duram cerca de 100 dias, e o povo as batizou de Baegilhong. Assim, a lenda explica a origem de uma flor e, ao mesmo tempo, fala de amor, espera e mal-entendidos trágicos.
3. Dokkaebi: os “goblins” travessos

Os dokkaebi são espíritos que usam seus poderes para pregar peças ou ajudar os humanos. Segundo a tradição, eles nascem de objetos domésticos antigos ou manchados de sangue humano. Costumam aparecer com chifres, além de olhos saltados e presas afiadas.
Eles não são bons nem maus por natureza: o comportamento de cada pessoa define como o dokkaebi vai tratá-la. Se você é fã de doramas, provavelmente já viu esse personagem por aí.
4. Gumiho: a raposa de nove caudas

O gumiho é uma raposa de nove caudas que se transforma em mulher. Diferente de criaturas parecidas da China e do Japão, ele se liga aos espíritos malignos, porque usa a transformação para seduzir homens e devorar fígados e corações a fim de manter a forma humana. Uma crença conta que ele pode se tornar humano de verdade se passar mil dias sem atacar ninguém.
Além disso, o gumiho ganhou nova vida na cultura pop: aparece em k-dramas como My Girlfriend Is a Gumiho e Tale of the Nine Tailed, e até em videogames.
5. Haechi: o guardião da justiça

Você já viu leões de pedra na entrada de palácios coreanos? Provavelmente eram haechi. Segundo a tradição, eles protegiam Hanyang, a atual Seul, e tinham o poder de julgar entre o bem e o mal. Também simbolizavam justiça e integridade e, de acordo com a crença antiga, comiam fogo e por isso protegiam os edifícios.
6. Yong: os dragões da água

Os dragões coreanos, chamados yong, ligam-se à água, à agricultura e ao controle de ondas e ventos. Ao contrário da imagem ocidental, eles protegem em vez de destruir. Porém, segundo a crença popular, os yong nascem dos imugi, serpentes que tentam ascender aos céus.
Uma das lendas mais conhecidas conta que o rei Munmu, ao morrer, virou dragão para proteger o reino.
7. Gwishin e Jeoseung Saja: fantasmas e mensageiros da morte

Os gwishin são os fantasmas da cultura coreana e costumam assombrar casas, escolas e cemitérios. Existem vários tipos. O Mul Gwishin, por exemplo, é a alma de quem morreu na água, sempre encharcado e com braços muito longos. Já o Cheonyeo Gwishin é o espírito de mulheres que morreram antes de se casar.
Já o Jeoseung Saja faz o papel da morte: um homem de pele muito pálida que, no passado, usava roupas de nobre da era Joseon e hoje aparece de sobretudo preto, guiando almas ao mundo dos mortos.
8. Samjoko e Inmyeonjo: as aves sagradas

Os pássaros também têm lugar especial no folclore coreano. O Samjoko é um corvo de três patas que representa o sol e simbolizava o poder do reino de Goguryeo.
Já o Inmyeonjo é uma grande ave branca de pescoço longo e rosto humano. Ele simboliza a longevidade e a união entre o céu e a terra, e sua aparição anunciava paz.
Resumo: quem é quem no folclore coreano
| Criatura | O que representa |
|---|---|
| Dangun | Fundador mítico da nação |
| Dokkaebi | Espírito brincalhão, capaz de ajudar ou atrapalhar |
| Gumiho | Raposa sedutora e perigosa |
| Haechi | Guardião da justiça e protetor contra o fogo |
| Yong | Dragão ligado à água e à agricultura |
| Gwishin | Fantasmas com assuntos inacabados |
| Samjoko | Corvo solar de três patas |
| Inmyeonjo | Ave sagrada de paz e longevidade |
Perguntas frequentes
Qual é a lenda mais famosa da Coreia?
O mito de Dangun, que explica a fundação de Gojoseon e a origem do povo coreano.
O que é um gumiho?
Uma raposa de nove caudas capaz de assumir forma humana, muito popular nos k-dramas.
Os dragões coreanos são iguais aos chineses?
Não. Eles têm semelhanças, mas o folclore coreano associa os yong à água e à agricultura, e a tradição os distingue por detalhes físicos.
Conclusão: o que essas lendas nos ensinam
As lendas da Coreia falam de perseverança, como a ursa que resistiu por 100 dias, mas também falam de espera e perda, como no amor da Baegilhong, e de proteção e justiça, como nos haechi. Repare que o número 100 se repete nessas histórias: o tempo aparece como prova, como medida da esperança e como aquilo que ensina quem o vive.
Essa é a reflexão do Cantinho do Opa: se as lendas atravessam séculos, é porque nos lembram de dar valor ao que temos agora. A ursa não esperou pelo futuro; ela viveu cada um daqueles 100 dias.
Qual dessas lendas você mais gostaria de ver em um dorama?
Comente abaixo e continue explorando o Cantinho do Opa! Que tal se aprofundar agora na Mitologia Chinesa?



